Dados mundiais sobre violência contra a mulher
OMS (Organização Mundial da Saúde)
Anistia Internacional
Outros
dados de alguns países
Segundo a Anistia Internacional, em relatório divulgado em 05/03/2004, mais
de um bilhão de mulheres no mundo - uma em cada três - foi espancada, forçada
a manter relações sexuais ou sofreu outro tipo de abuso, quase sempre cometido
por amigo ou parente.
No relatório "Está em nossas mãos. Páre a violência contra a
mulher", a Anistia diz que o problema não está confinado a regiões mais
pobres e fez um alerta: “Em todo o mundo, um quinto das mulheres foi vítima
de estupro ou de tentativa deste tipo de crime”.
O relatório afirma que nos Estados Unidos, uma mulher é espancada por seu
marido ou parceiro a cada 15 segundos em média, enquanto uma é estuprada a
cada 90 segundos. E na Inglaterra, duas mulheres por semana são mortas por seus
parceiros.
Na França, 25 mil mulheres são violentadas a cada ano. De acordo com a
Anistia, o número de vítimas reais de abuso deve ser muito maior, devido ao
estigma que inibe denúncias.
Todos os anos, dois milhões de meninas entre 5 e 15 anos são obrigadas a se
prostituir. O tráfico de mulheres movimenta atualmente US$ 7 bilhões por ano,
segundo a Anistia.
Cerca de 70% dos assassinatos de mulheres são praticados por seus parceiros
masculinos. Na Zâmbia, cinco mulheres são assassinadas por semana por seus
parceiros ou por algum amigo da família. No Egito, 35% das mulheres declararam
ter apanhado do marido. No Paquistão, 42% das mulheres aceitam a violência
como parte de seu destino. E na Inglaterra, duas mulheres por semana são mortas
por seu parceiro.
Leia mais em Anistia
Internacional Brasil e http://web.amnesty.org/actforwomen/index-eng
OMS (Organização Mundial da
Saúde)
Segundo a OMS, quase metade das mulheres assassinadas são mortas pelo marido
ou namorado, atual ou ex. A violência responde por aproximadamente 7% de todas
as mortes de mulheres entre 15 a 44 anos no mundo todo. Em alguns países, até
69% das mulheres relatam terem sido agredidas fisicamente e até 47% declaram
que sua primeira relação sexual foi forçada.
Fonte: OMS, Informe Mundial sobre Violencia e Saúde 2002, disponível em http://www.who.int/violence_injury_prevention/
Proporção de mulheres que já foram agredidas fisicamente por um parceiro
íntimo (estudos nacionais selecionados)
|
Proporção de mulheres que já foram agredidas fisicamente por um
parceiro íntimo (%) |
| |
Tamanho da Amostra |
|
|
País |
Ano |
|
|
|
Canadá |
1991-1992 |
12.300 |
29 (%) |
|
Egito |
1995-1996 |
7.121 |
34 (%) |
|
Nicarágua |
1998 |
8.507 |
28 (%) |
|
Paraguai |
1995-1996 |
5.940 |
10 (%) |
|
Filipinas |
1993 |
8.481 |
10 (%) |
|
África do Sul |
1998 |
10.190 |
13 (%) |
|
Suíça |
1994-1996 |
1.500 |
21 (%) |
|
Estados Unidos |
1995-1996 |
8.000 |
22 (%) |
Fonte: OMS, Intimate Partner Violence Facts, disponível em http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/
global_campaign/en/ipvfacts.pdf
Proporção de mulheres que relataram uma tentativa ou que foram forçadas
por um parceiro íntimo a fazer sexo em algum momento de suas vidas (cidades
selecionadas)
|
Tentativa ou estupro consumado (%) |
| |
Tamanho da Amostra |
|
|
País |
Ano |
|
|
|
Brasil (São Paulo) |
2000 |
941 |
10,1 (%) |
|
Canadá (Toronto) |
1991-1992 |
420 |
15,3 (%) |
|
Japão (Yokohama) |
2000 |
1.287 |
6,2 (%) |
|
México (Guadalajara) |
1996 |
650 |
23,0 (%) |
|
Nicarágua (León) |
1993 |
360 |
21,7 (%) |
|
Peru (Cusco) |
2000 |
1.534 |
46,7 (%) |
|
Tailândia (Bancoc) |
2000 |
1.051 |
29,9 (%) |
|
Reino Unido (Norte de Londres) |
1993 |
430 |
23,0 (%) |
|
Zimbábue (Midlands Province) |
1996 |
966 |
25,0 (%) |
Fonte: OMS, Sexual Violence Facts, disponível em http://www.who.int/violence_injury_prevention/violence/
global_campaign/en/sexualviolencefacts.pdf
Anistia Internacional
O Globo, seção Mundo, 060304
Reuters
LONDRES - Dos campos de batalha às ruas e quartos de dormir, mulheres ao redor
do mundo estão sujeitas a níveis aterrorizantes de abusos, afirmou nesta
sexta-feira o grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional. Três
dias antes do Dia Internacional da Mulher, o grupo afirmou que mais de um
bilhão de mulheres no mundo - uma em cada três - foi espancada, forçada a
manter relações sexuais ou sofreu outro tipo de abuso, quase sempre perpetrado
por amigo ou parente.
No relatório "Está em nossas mãos. Páre a violência contra a
mulher", a Anistia diz que o problema não está confinado a regiões mais
pobres e fez um alerta:
- Isso não é algo que acontece 'por lá'. Acontece aqui - disse a
secretária-geral do grupo, Irene Khan, no lançamento do relatório e da
campanha em Londres. - Não é algo que só acontece a outras pessoas. Acontece
a você, a seus amigos e sua família. Até que todos nós, homens e mulheres,
digamos 'não, não deixarei que isso aconteça', isso não terá fim.
O relatório afirma que nos Estados Unidos, uma mulher é espancada por seu
marido ou parceiro a cada 15 segundos em média, enquanto uma e estuprada a cada
90 segundos. Na França, 25 mil mulheres são violentadas a cada ano. De acordo
com a Anistia, o número de vítimas reais de abuso deve ser muito maior, devido
ao estigma que inibe denúncias.
- Atrás de portas fechadas e em segredo, mulheres são submetidas à violência
de seus parceiros e parentes, muito envergonhadas para delatar - disse Khan.
Todos os anos, dois milhões de meninas entre 5 e 15 anos são obrigadas a se
prostituir e o tráfico de mulheres movimenta atualmente US$ 7 bilhões por ano,
segundo a Anistia. Em todo o mundo, um quinto das mulheres foi vítima de
estupro ou de tentativa deste tipo de crime. E a prática se transformou até
mesmo em uma arma de guerra. - Os conflitos armados estão tendo um efeito
devastador e desesperador sobre as mulheres, que ultrapassa em muito a
violência inerente à guerra - afirmou Khan.
Na Zâmbia, cinco mulheres são assassinadas por semana por seus parceiros ou
por algum amigo da família. Em toda a África subsaariana, o epicentro da
pandemia de Aids, cerca de 60% das pessoas infectadas são mulheres - tendência
que aumenta devido à crença em alguns países de que o estupro de uma virgem
pode curar a doença.
Leia alguns dados sobre violência contra a mulher
LONDRES - A seguir, alguns dos dados divulgados pela Anistia Internacional no
lançamento do relatório "Depende de nós. Páre a violência contra a
mulher".
1. Como a violência contra a mulher pareceria num mundo reduzido, numa vila
global de mil pessoas? A Anistia responde, com bases em dados da ONU, da
Organização Mundial da Saúde (OMS) e de organizações governamentais e
não-governamentais:
a. Quinhentas pessoas seriam mulheres
b. Na verdade, seriam 510, mas 10 não teriam nascido devido a políticas de
aborto baseadas no gênero ou à morte na infância devido à negligência
c. Trezentas seriam asiáticas
d. 167 teriam sido espancadas ou expostas a algum tipo de violência durante a
vida
e. Cem das mulheres seriam vítimas de estupro ou tentativa de estupro durante a
vida
2. Mulheres e população
a. 49,7% da população mundial é de mulheres (mais de 3,1 bilhões)
3. Violência na família. O fenômeno assume várias formas, da agressão
física à psicológica.
a. Ao menos uma em cada três mulheres, ou mais de um bilhão de mulheres, foram
espancadas, coagidas a fazer sexo ou vítimas de abuso. Quase sempre o autor do
abuso é alguém conhecido
b. Mais de 70% das mulheres vítimas de assassinato são mortas por seus
parceiros
c. No Quênia, mais de uma mulher é assassinada por seu parceiro a cada semana
d. Na Zâmbia, cinco são assassinadas por semana por um parceiro ou membro
masculino de sua família
e. No Egito, 35% das mulheres foram espancadas pelos maridos em algum momento do
casamento
f. Na Bolívia, 17% das mulheres com 20 anos ou mais foi vítima de violência
física nos últimos 12 meses
g. Nos EUA uma mulher é espancada por seu parceiro ou marido a cada 15 segundos
h. Cerca de duas mulheres por semana são mortas por seus parceiros no Reino
Unido
4. Violência sexual. O estupro é a forma mais violenta de abuso sexual.
Também está associado com gravidezes indesejadas e com doenças sexualmente
transmissíveis como a Aids.
a. Uma em cada cinco mulheres será vítima de estupro ou tentativa de estupro
durante sua vida.
b. Na África do Sul, 147 mulheres são estupradas todos os dias
c. Nos EUA, uma mulher é estuprada a cada 90 segundos.
d. Na França, 25 mil mulheres são estupradas por ano
Ator condena indústria do cinema por promover violência contra a mulher
Reuters
LONDRES - A indústria do cinema tem parte da culpa pela cultura global da
violência contra a mulher, disse nesta sexta-feira o ator Patrick Stewart, que
participou do lançamento do relatório da Anistia Internacional, 'It's in our
hands. Stop violence against women' (Depende de nós: Páre a violência contra
mulheres).
Stewart, que quando criança diz ter testemunhado seu pai bater em sua mãe,
escolheu o filme "Kill Bill", de Quentin Tarantino, para tecer suas
críticas. O filme, ainda não lançado no Brasil, usa cenas de artes marciais
de violência extrema para contar a história de uma mulher, a atriz Uma Thurman,
que sobrevive à tentativa de assassinato por uma gangue e parte para a
vingança.
- A indústria do entretenimento tem sido extremamente irresponsável ao
perpetuar e estereotipar atitudes violentas de homens contra mulheres - disse
Stewart. - Condeno totalmente filmes como "Kill Bill". Ouvimos que se
trata de dar poder às mulheres. Tudo o que vimos foi poder dado a mulheres para
matar outras mulheres - disse ele.
O ator afirmou que a indústria do cinema tem que se envergonhar da forma com
que retrata mulheres.
- É uma abordagem sensacionalista.
Stewart, que foi o capitão Jean-Luc Picard no filme Star Trek, quase chorou ao
falar de sua própria experiência como criança. Ele disse ter sido degradado
por ouvir e ver seu pai, um alcóolatra, recorrer à violência contra sua mãe.
- Vi a sociedade, polícia, médicos e vizinhos, conspirarem para esconder o
abuso - lembrou ele.
Outros dados de alguns países
Chile
São registrados 4.500 crimes sexuais por ano, entre 70% a 80% são cometidos
contra menores de idade. Metade dos crimes permanece sem punição. Dados
fornecidos pela SEM, Chile.
Colômbia
Segundo o Cladem Colômbia (Comitê Latinoamericano para la Defensa de los
Derechos de la Mujer), a violência intrafamiliar atinge principalmente a mulher
colombiana. Apenas pouco mais de 5% dos casos são denunciados.
Costa Rica
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Violência Contra as Mulheres, 67% das
mulheres costarriquenhas maiores de 15 anos já sofreu ao menos um incidente de
violência física ou sexual em algum momento de sua vida. 65% delas sentiu sua
vida em perigo no momento do incidente. A maioria dos agressores são homens
conhecidos pelas mulheres, incluindo parceiros e familiares.
El Salvador
Nos primeiros 9 meses de 2004, em El Salvador, foram registrados 1.797
homicídios, sendo que pelo menos 153 casos foram de assassinatos de mulheres,
informou a Polícia Nacional Civil (PNC). Segundo o informe, 93% dos homicídios
ocorrem por violência social, ainda que as autoridades não descartem a
possibilidade de que os assassinatos de mulheres ocorram no marco de uma
campanha de extermínio.
Equador
De cada 10 equatorianas, seis são vítimas de algum tipo de violência. De
acordo com o Conselho Nacional da Mulher (CONAMU) a situação é tão grave que
foram criadas delegacias especialmente para receber denúncias de maus-tratos no
seio familiar. Estas recebem cerca de 500 acusações diárias por violência de
algum tipo, nas quais 97% das vítimas são mulheres e meninas. O Centro de
Planejamento e Estudos afirma que 60% das mulheres são ou foram espancadas por
seus maridos ou conviventes.
México
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública, 33% das mulheres mexicanas
com mais de 15 anos sofrem abuso e violência. O Centro para Investigação e
Combate à Violência Doméstica mostrou que a maioria das mexicanas que sofrem
abuso contribui para a renda da família e está sujeita a perder até 30 dias
de trabalho a cada ano por causa da violência sofrida. A pesquisadora Rosario
Valdez Santiago afirmou que a violência é responsável por 40% dos suicídios
registrados entre mulheres no México.
As investigações conduzidas pela Anistia Internacional concluíram que, nos
últimos dez anos, foram assassinadas umas 370 mulheres na região de Juarez e,
destas, ao menos 137 haviam sido agredidas sexualmente antes de morrer. Ainda
não foram identificados outros 75 cadáveres.
Jovens e violência sexual
Segundo estimativas do Unicef, a cada ano são diretamente afetadas pela
violência sexual cerca de um milhão de crianças em todo o mundo. Dessas,
estima-se que 100 mil casos estejam distribuídos entre Brasil, Filipinas e
Taiwan.
A situação brasileira se perpetua em grande parte graças à omissão e ao
pacto de silêncio que cercam a questão. Especialistas no atendimento às
vítimas estimam que, para 20 casos de violência no país, apenas um é
denunciado.
Fontes: Anistia
Internacional , www.amnesty.org
, Cladem
Brasil, Cladem
Colômbia, Mujeres
Hoy / Isis
Internacional, SEM Chile.
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