Pesquisa Ibope - Instituto Patrícia Galvão: Atitudes frente à
violência contra a mulher
Violência Contra a Mulher: onde tem violência todo mundo perde -
publicação do Instituto Patrícia Galvão
Maria,
Maria (número especial sobre violência contra a mulher) - publicação
do Unifem
Glossário sobre violência contra a mulher
O que é violência contra a mulher?
Tipos de violência
Fases da violência doméstica
Homens e a violência contra a mulher
Violência e religião
Violência e saúde
O custo econômico da violência doméstica
Violência sexual e DSTs/contracepção de emergência
Assédio sexual
Tráfico e exploração sexual de mulheres
Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes
Violência contra as mulheres negras e indígenas
Violência contra as mulheres lésbicas
Violência contra as mulheres idosas
Leia mais artigos sobre o assunto na página do Projeto
Violência, Saúde e Direitos Humanos do Coletivo Feminista Sexualidade
e Saúde
O que é violência contra a mulher?
Na definição da Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana
para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, adotada pela OEA
em 1994), a violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no
gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à
mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”.
“A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de
poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à
dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o
pleno avanço das mulheres...”
Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres,
Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993.
A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos
(Viena, 1993) reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma
violação aos direitos humanos. Desde então, os governos dos países-membros
da ONU e as organizações da sociedade civil têm trabalhado para a
eliminação desse tipo de violência, que já é reconhecido também como um
grave problema de saúde pública.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), “as
conseqüências do abuso são profundas, indo além da saúde e da felicidade
individual e afetando o bem-estar de comunidades inteiras.”
De onde vem a violência contra a mulher?
Ela acontece porque em nossa sociedade muita gente ainda acha
que o melhor jeito de resolver um conflito é a violência e que os homens são
mais fortes e superiores às mulheres. É assim que, muitas vezes, os maridos,
namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que têm o direito de
impor suas vontades às mulheres.
Embora muitas vezes o álcool, drogas ilegais e ciúmes sejam
apontados como fatores que desencadeiam a violência contra a mulher, na raiz de
tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que
por sua vez se reflete na forma de educar os meninos e as meninas. Enquanto os
meninos são incentivados a valorizar a agressividade, a força física, a
ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os sexuais, as
meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão,
dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros.
Por que muitas mulheres sofrem caladas?
Estima-se que mais da metade das mulheres agredidas sofram
caladas e não peçam ajuda. Para elas é difícil dar um basta naquela
situação. Muitas sentem vergonha ou dependem emocionalmente ou financeiramente
do agressor; outras acham que “foi só daquela vez” ou que, no fundo, são
elas as culpadas pela violência; outras não falam nada por causa dos filhos,
porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem prejudicar o
agressor, que pode ser preso ou condenado socialmente. E ainda tem também
aquela idéia do “ruim com ele, pior sem ele”.
Muitas se sentem sozinhas, com medo e vergonha. Quando pedem
ajuda, em geral, é para outra mulher da família, como a mãe ou irmã, ou
então alguma amiga próxima, vizinha ou colega de trabalho. Já o número de
mulheres que recorrem à polícia é ainda menor. Isso acontece principalmente
no caso de ameaça com arma de fogo, depois de espancamentos com fraturas ou
cortes e ameaças aos filhos.
O que pode ser feito?
As mulheres que sofrem violência podem procurar qualquer
delegacia, mas é preferível que elas vão às Delegacias Especializadas de
Atendimento à Mulher (DEAM), também chamadas de Delegacias da Mulher (DDM).
Há também os serviços que funcionam em hospitais e universidades e que
oferecem atendimento médico, assistência psicossocial e orientação
jurídica.
A mulher que sofreu violência pode ainda procurar ajuda nas
Defensorias Públicas e Juizados Especiais, nos Conselhos Estaduais dos Direitos
das Mulheres e em organizações de mulheres.
Como funciona a denúncia
Se for registrar a ocorrência na delegacia, é importante
contar tudo em detalhes e levar testemunhas, se houver, ou indicar o nome e
endereço delas. Se a mulher achar que a sua vida ou a de seus familiares
(filhos, pais etc.) está em risco, ela pode também procurar ajuda em serviços
que mantêm casas-abrigo, que são moradias em local secreto onde a mulher e os
filhos podem ficar afastados do agressor.
Dependendo do tipo de crime, a mulher pode precisar ou não
de um advogado para entrar com uma ação na Justiça. Se ela não tiver
dinheiro, o Estado pode nomear um advogado ou advogada para defendê-la.
Muitas vezes a mulher se arrepende e desiste de levar a
ação adiante.
Em alguns casos, a mulher pode ainda pedir indenização
pelos prejuízos sofridos. Para isso, ela deve procurar a Promotoria de Direitos
Constitucionais e Reparação de Danos.
Violência contra idosos, crianças e mulheres negras -
além das Delegacias da Mulher, a Delegacia de Proteção ao Idoso e o GRADI
(Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância) também podem
atender as mulheres que sofreram violência, sejam elas idosas ou não-brancas,
homossexuais ou de qualquer outro grupo que é considerado uma “minoria”. No
caso da violência contra meninas, pode-se recorrer também às Delegacias de
Proteção à Criança e ao Adolescente.
Tipos de violência
Violência contra a mulher - é qualquer conduta - ação ou omissão -
de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a
vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação,
sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico
ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos
como privados.
Violência de gênero - violência sofrida pelo fato de se ser mulher,
sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra
condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino.
Violência doméstica - quando ocorre em casa, no ambiente doméstico, ou
em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação.
Violência familiar - violência que acontece dentro da família, ou
seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por
vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra,
padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou
afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa).
Violência física - ação ou omissão que coloque em risco ou cause
dano à integridade física de uma pessoa.
Violência institucional - tipo de violência motivada por desigualdades
(de gênero, étnico-raciais, econômicas etc.) predominantes em diferentes
sociedades. Essas desigualdades se formalizam e institucionalizam nas diferentes
organizações privadas e aparelhos estatais, como também nos diferentes grupos
que constituem essas sociedades.
Violência intrafamiliar/violência doméstica - açontece dentro de casa
ou unidade doméstica e geralmente é praticada por um membro da família que
viva com a vítima. As agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e
psicológico, a negligência e o abandono.
Violência moral - ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a
honra ou a reputação da mulher.
Violência patrimonial - ato de violência que implique dano, perda,
subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e
valores.
Violência psicológica - ação ou omissão destinada a degradar ou
controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por
meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação,
isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde
psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.
Violência sexual - acão que obriga uma pessoa a manter contato sexual,
físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da
força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou
qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se
como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar
alguns desses atos com terceiros.
Consta ainda do Código Penal Brasileiro: a violência sexual pode ser
caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o
estupro, a tentativa de estupro, o atentado violento ao pudor e o
ato obsceno.
Fases da violência doméstica
As fases da situação de violência doméstica compõem um
ciclo que pode se tornar vicioso, repetindo-se ao longo de meses ou anos.
Primeiro, vem a fase da tensão, que vai se acumulando
e se manifestando por meio de atritos, cheios de insultos e ameaças, muitas
vezes recíprocos. Em seguida, vem a fase da agressão, com a descarga
descontrolada de toda aquela tensão acumulada. O agressor atinge a vítima com
empurrões, socos e pontapés, ou às vezes usa objetos, como garrafa, pau,
ferro e outros. Depois, é a vez da fase da reconciliação, em que o
agressor pede perdão e promete mudar de comportamento, ou finge que não houve
nada, mas fica mais carinhoso, bonzinho, traz presentes, fazendo a mulher
acreditar que aquilo não vai mais voltar a acontecer.
É muito comum que esse ciclo se repita, com cada vez maior
violência e intervalo menor entre as fases. A experiência mostra que, ou esse
ciclo se repete indefinidamente, ou, pior, muitas vezes termina em tragédia,
com uma lesão grave ou até o assassinato da mulher.
Homens e a violência contra a mulher
A violência é muitas vezes considerada como uma manifestação tipicamente
masculina, uma espécie de “instrumento para a resolução de conflitos”.
Os papéis ensinados desde a infância fazem com que meninos e meninas
aprendam a lidar com a emoção de maneira diversa. Os meninos são ensinados a
reprimir as manifestações de algumas formas de emoção, como amor, afeto e
amizade, e estimulados a exprimir outras, como raiva, agressividade e ciúmes.
Essas manifestações são tão aceitas que muitas vezes acabam representando
uma licença para atos violentos.
Existem pesquisas que procuram explicar a relação entre masculinidade e
violência através da biologia e da genética. Além da constituição física
mais forte que a das mulheres, atribui-se a uma mutação genética a capacidade
de manifestar extremos de brutalidade e até sadismo.
Outros estudos mostraram que, para alguns homens, ser cruel é sinônimo de
virilidade, força, poder e status. “Para alguns, a prática de atos cruéis
é a única forma de se impor como homem”, afirma a antropóloga Alba Zaluar,
do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade Estadual do Rio de
Janeiro.
Saiba mais sobre masculinidades e violência acessando os sites do Instituto
Promundo, Instituto Noos e Instituto
Papai.
Violência e religião
A violência contra as mulheres é um fenômeno antiqüíssimo e considerado
o crime encoberto mais praticado no mundo.
“Tem sido legalizado, através dos tempos, por leis
religiosas e seculares, legitimado por diferentes culturas e por mitos da
tradição oral ou escrita.”
Fonte: Católicas pelo Direito de Decidir, Violência contra as
mulheres, 2003.
Em seus cursos sobre a relação violência e religião, o grupo Católicas
pelo Direito de Decidir enfatiza que:
·
A legitimidade que a religião tem dado à subordinação da
mulher não é essencialmente divina.
· Temos o direito de questionar e não aceitar
aqueles aprendizados teológicos e religiosos que fomentam o poderio do
homem e a subordinação da mulher, sustentando assim a violência.
· Deve-se “suspeitar” das imagens sagradas
que possam estar legitimando uma relação violenta e que possa estar
motivando uma eterna discriminação e desigualdade entre homens e mulheres.
Saiba mais sobre a relação entre violência e religião acessando o site
das Católicas pelo Direito de
Decidir.
Violência e saúde (física e psicológica)
A violência contra a mulher, além de ser uma questão política, cultural,
policial e jurídica, é também, e principalmente, um caso de saúde pública.
Muitas mulheres adoecem a partir de situações de violência em casa.
Muitas das mulheres que recorrem aos serviços de saúde, com reclamações
de enxaquecas, gastrites, dores difusas e outros problemas, vivem situações de
violência dentro de suas próprias casas.
A ligação entre a violência contra a mulher e a sua saúde tem se tornado
cada vez mais evidente, embora a maioria das mulheres não relate que viveu ou
vive em situação de violência doméstica. Por isso é extremamente importante
que os/as profissionais de saúde sejam treinadas/os para identificar, atender e
tratar as pacientes que se apresentam com sintomas que podem estar relacionados
a abuso e agressão.
Violência e saúde mental
A mulher não deve ser vista apenas como uma “vítima” da violência que
foi provocada contra ela, mas como elemento integrante de uma relação com o
agressor que ocorre em um contexto bastante complexo, que às vezes se
transforma em uma espécie de jogo em que a “vítima” passa a ser “cúmplice”.
A mulher às vezes faz uma denúncia formal contra o agressor em uma
delegacia especializada para, logo depois, retirar a queixa. Outras vezes, ela
foge para uma casa-abrigo levando consigo as crianças por temer por suas vidas
e, algum tempo depois, volta ao lar, para o convívio com o agressor. São
situações que envolvem sentimentos, forças inconscientes, fantasias, traumas,
desejos de construção e destruição, de vida e de morte.
Leia mais no artigo “Saúde mental e violência”, de Paula
Francisquetti no site do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, em pdf.
Leia sobre as conseqüências psicológicas da violência doméstica e da violência sexual contra as mulheres.
Saiba mais sobre a relação entre violência e saúde em Violência contra a
mulher e saúde no Brasil
e em Violencia, género y salud.
O custo econômico da violência doméstica
Segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento:
·
Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela
violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.
·
A cada 5 anos, a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela
sofre violência doméstica.
·
O estupro e a violência doméstica são causas importantes de
incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.
·
Na América Latina e Caribe, a violência doméstica
atinge entre 25% a 50% das mulheres.
·
Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha
menos do que aquela que não vive em situação de violência.
·
No Canadá, um estudo estimou que os custos da violência
contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em
serviços, incluindo polícia, sistema de justiça criminal, aconselhamento
e capacitação.
·
Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a
violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano.
·
Segundo o Banco Mundial, nos países em desenvolvimento,
estima-se que entre 5% a 16% de anos de vida saudável são perdidos pelas
mulheres em idade reprodutiva como resultado da violência doméstica.
·
Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento estimou
que o custo total da violência doméstica oscila entre 1,6% e 2% do PIB de
um país.
Violência sexual e DSTs/contracepção de emergência
A violência sexual expõe as mulheres e meninas ao risco de contrair DSTs
(doenças sexualmente transmissíveis) e de engravidar.
A violência e as ameaças à violência limitam a capacidade de negociar o
sexo seguro. Além disso, estudos mostraram que a violência sexual na infância
pode contribuir para aumentar as chances de um comportamento sexual de risco na
adolescência e vida adulta.
Outra questão importante é que a revelação do status sorológico (estar
com o HIV) para o parceiro ou outras pessoas também pode aumentar o risco de
sofrer violência.
Cuidados após a violência sexual
Após a violência sexual a mulher (ou menina) pode contrair DSTs, como
HIV/AIDS, ou engravidar. Para prevenir essas ocorrências, o Ministério da
Saúde emitiu uma Norma
Técnica (disponível no site do Cfemea, em pdf) para orientar os serviços
de saúde sobre como atender as vítimas de violência sexual.
Mas, se mesmo assim ocorrer a gravidez, a mulher pode
recorrer a um serviço de aborto previsto em lei em hospital público. É um
direito incluído no Código Penal (artigo 128) e regulamentado pelo Ministério
da Saúde.
Assédio sexual
O assédio sexual é um crime que acontece em uma relação de trabalho,
quando alguém, por palavras ou atos com sentido sexual, incomoda uma pessoa
usando o poder que tem por ser patrão, chefe, colega ou cliente.
Segundo o Código Penal - artigo 216-A, incluído pela Lei
nº 10.224, de 15 de maio de 2001 - o crime de assédio sexual prevê pena de
detenção, de 1 a 2 anos.
Tráfico e exploração sexual de mulheres
No Brasil, a maioria das vítimas do tráfico de seres humanos são mulheres,
que abastecem as redes internacionais de prostituição.
Em 2002, a Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para
Fins de Exploração Sexual Comercial (Pestraf) identificou que as vítimas
brasileiras das redes internacionais de tráfico de seres humanos são, em sua
maioria, adultas. Elas saem principalmente das cidades litorâneas (Rio de
Janeiro, Vitória, Salvador, Recife e Fortaleza), mas há também casos nos
estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Pará. Os destinos principais são
a Europa (com destaque para a Itália, Espanha e Portugal) e América Latina
(Paraguai, Suriname, Venezuela e Republica Dominicana).
A Pestraf foi coordenada pela professora Lúcia Leal, da Universidade de
Brasília (UnB), e serviu de ponto de partida para o trabalho pela Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional realizado em 2003 e
2004.
Fonte: Ministério da
Justiça. Mais informações: traficosereshumanos@mj.gov.br
Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes
O número de denúncias aumentou bastante nos últimos anos, devido a uma das
principais ações de combate à violência sexual contra crianças e
adolescentes: a divulgação do disque-denúncia (0800-99-0500), número do
Sistema Nacional de Combate à Exploração Sexual Infanto-Juvenil, mantido pela
Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e
Adolescência (Abrapia <http://www.abrapia.org.br>).
Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil
Criado com o objetivo de implementar um conjunto articulado de ações e
metas para assegurar a proteção integral à criança e ao adolescente em
situação de risco de violência sexual, esse Plano aponta mecanismos e
diretrizes para a viabilização da política de atendimento estabelecida no
Estatuto da Criança e do Adolescente.
Para o acompanhamento da implantação e implementação das ações do Plano
Nacional, foi criado o Fórum Nacional pelo Fim da Violência Sexual de
Crianças e Adolescentes, que reúne organizações do governo e da sociedade
que atuam na prevenção e no combate à violência sexual contra crianças e
adolescentes.
Mais informações com o Cecria
- Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes.
Violência contra as mulheres negras e indígenas
No Brasil, as mulheres negras e indígenas carregam uma pesada herança
histórica de abuso e violência sexual, tendo sido por séculos tratadas como
máquinas de trabalho e sexo, sem os direitos humanos básicos.
Hoje, as mulheres negras e indígenas sofrem uma dupla discriminação - a de
gênero e a racial - acrescida de uma terceira, a de classe, por serem em sua
maioria mulheres pobres.
Todos esses fatores aumentam a vulnerabilidade dessas mulheres, que muitas
vezes enfrentam a violência não apenas fora, mas também dentro de suas casas.
Saiba mais nos sites da Casa
de Cultura da Mulher Negra e do Instituto
Socioambiental.
Violência contra as lésbicas
O fato de ser lésbica torna as mulheres homossexuais ainda mais vulneráveis
às diversas formas de violências cometidas contra as mulheres.
“As jovens que se descobrem lésbicas, e que vivem com seus pais, são as
que mais sofrem violência. A família reprova a lesbianidade da filha e procura
impor a heterossexualidade como normalização da prática sexual do indivíduo.
Por serem destituídas de qualquer poder, os pais buscam sujeitar e controlar o
corpo das filhas lésbicas, lançando mão de diferentes formas de violência,
como os maus-tratos físicos e psicológicos. E não faltam acusações,
ameaças e, inclusive, a expulsão de casa. As ocorrências de violência sempre
têm o sentido de dominação: é o exercício do poder, utilizado como
ferramenta de ensino, punição e controle.”
Fonte: Marisa Fernandes, “Violência
contra as lésbicas”, Maria, Maria, nº 0.
Mais informações no site do Um
Outro Olhar.
Violência contra as mulheres idosas
A discriminação contra a mulher começa na infância e vai
até a velhice. Em alguns casos, começa até mesmo antes do nascimento, na
seleção do sexo do embrião.
No caso da violência doméstica contra os idosos, a imensa maioria das
vítimas são mulheres. Segundo Maria Antonia Gigliotti, aos 77 anos, presidente
do Conselho Municipal do Idoso da cidade de São Paulo, isso “tem a ver com a
lógica do sistema patriarcal, que considera que a mulher vale menos do que o
homem, não importa a idade que ela tenha. Também conta o fator financeiro: as
mulheres idosas são normalmente bem mais pobres do que os homens idosos”.
Fonte: Unifem,
Maria, Maria nº 0.
Faça o download do Estatuto do Idoso em http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/pdf/03_1492_M.pdf.